domingo, 26 de maio de 2019

[Livro] Jadis, a Branca de Neve de C.S. Lewis

Atenção, o post a seguir contém spoilers sobre os livros: O leão, a feiticeira e o guarda-roupa e O sobrinho do Mago, ambos parte da série de livros As crônicas de Nárnia de C.S. Lewis.





Quem é Jadis?


Jadis, também conhecida como Feiticeira Branca ou Bruxa branca, é a principal antagonista do livro de C. S. Lewis (1898-1963) “O leão, a feiticeira e o guarda-roupa”, pertencente à série de livros As Crônicas de Nárnia (1950). A personagem, interpretada no cinema pela incrível Tilda Swinton, é uma mulher muito poderosa e responsável pela destruição de muitos mundos, entre eles Felinda, Bramadin, Soloris e Charn, este último citado no livro “O sobrinho do Mago” (1955), trouxe o chamado Inverno de Cem Anos à Nárnia, o qual só teve fim com a chegada dos irmãos Pevensie: Suzana, Pedro, Lúcia e Edmundo.


Jadis é uma mulher muito atraente, de pele extremamente branca, lábios vermelhos e cabelos muito negros, uma perfeita branca de neve, exceto pela altura. Jadis é muito alta, descendente de Liliti e dos Gigantes, possui diversos títulos como por exemplo: feiticeira branca, dama branca e princesa de Charn. Todos esses títulos não impedem de se auto-intitular como Imperatriz Jadis, Majestade Imperial Jadis, Rainha de Nárnia, Castelã de Cair Paravel e Imperatriz da Ilhas Solitárias.


A idade da auto proclamada Rainha de Nárnia é desconhecida, entretanto, sabe-se que Jadis possui mais de mil anos de acordo com as informações que são dados nos livros da série. Se fizermos as contas chegamos à esta conclusão. A linha do tempo que possuímos a partir dos livros é a seguinte:


  • Jadis chega a Nárnia pela primeira vez no ano de sua criação.
  • No mesmo ano em que é plantada a árvore da proteção, Jadis é exilada de Nárnia.
  • Jadis retorna à Nárnia no ano 898.
  • Jadis começa o grande inverno no ano 900.
  • Jadis é morta no ano 1000 e o inverno de 100 anos tem seu fim.

História


Apesar da linha do tempo da feiticeira com Nárnia, a história da mesma começa bem antes da criação do mundo fantástico cheio de reis, rainhas e animais falantes. Jadis é originária de um mundo paralelo à Nárnia e ao mundo “real” dos irmãos Pevensie. Charn é o mundo de Jadis e passamos a conhecê-lo no livro “O sobrinho do mago”, onde Digory e Poly, protagonistas deste livro que, apesar de ter sido o segundo a ser publicado, é o primeiro na linha cronológica das Crônicas de Nárnia, conseguem acessar o Bosque entre mundos onde acabam tendo acesso à diversos mundos, entre eles Charn.


Charn é descrito pelo autor como um mundo frio e sem vida, e Jadis explica aos jovens que o seu mundo se perdeu daquele jeito após uma guerra que a mesma mantivera com sua irmã pelo trono e quando se viu praticamente derrotada, Jadis pronunciou a palavra execrável, um feitiço que mata todos os seres vivos, menos aquele que pronunciou a palavra, este fica paralisado até que alguém o liberte.


Digory e Polly acabam levando Jadis para seu mundo, onde a mesma pretende criar seu novo império. Na terra, Jadis causa muita confusão em sua tentativa de ser tratada como rainha antes mesmo de dominar o mundo, sendo levada para Nárnia por Digory e Polly, contra sua vontade, é claro.


Os personagens chegam à Nárnia no momento de sua criação, Aslam é visto cantando a canção que dá vida e forma àquele mundo. Ao ver o poderoso leão capaz de dar vida à um mundo, Jadis sabe que aquele será seu grande inimigo para dominação de seu novo reino. Neste primeiro momento, a feiticeira tenta, em vão, matá-lo com um pedaço de poste que trouxe de Londres mas, fracassada a tentativa, o pedaço de poste é sugado pela terra de Nárnia e cresce no lugar o famoso “Ermo do Lampião” (Você pode vê-lo no primeiro filme, assim que Lúcia entra em Nárnia pela primeira vez).


Ao perceber que o Leão não pode ser morto, Jadis foge e come o fruto da árvore da Juventude se tornando mais forte e bonita, entretanto, devido ao fruto desta mesma árvore ter sido plantado em Nárnia, ela é impedida de retornar, pois o cheiro que a mesma exala a incomoda. Deste momento em diante, a feiticeira branca permanece exilada nas terras do Norte até o ano  de 898 quando põe em prática seu plano de dominação, transformando seus opositores em pedra e criando sua polícia secreta.


Com sua magia fortalecida, Jadis trouxe um inverno permanente à Nárnia e baniu o Natal. Uma profecia previu que a feiticeira seria derrotada por dois filhos de Adão e duas filhas de Eva os quais conduziriam Nárnia à uma era de ouro e para evitar sua iminente derrota, ela baniu todos os seres humanos de Nárnia e ameaçou com punições os narnianos que confraternizassem com humanos.


Cem anos se passam desde o início do grande inverno e finalmente os irmãos Pevensie entram em Nárnia enfraquecendo os poderes de Jadis, Aslam negocia sua vida em troca da vida de um dos irmãos e, após o sacrifício Jadis começa a preparar seu exército para enfrentar os irmãos e seu exército de narnianos.


Durante a batalha, Edmundo, o irmão do meio dos Pevensie quebra a varinha de Jadis e a impede de transformar os narnianos em pedra, mas é Aslam que mata a bruxa após ser ressuscitado por uma magia antiga. Nos filmes esta não é a última aparição de Jadis, entretanto, nos livros, sim.


Semelhanças e paralelos


Eu me lembro claramente a primeira fala do meu professor de Literatura Inglesa I em seu primeiro dia de aula: " durante esta disciplina vocês vão aprender a ver a literatura com outros olhos e começar a identificar similaridades em obras de tempos e lugares diferentes, seja em relação ao enredo, ao motivo, à politização...”. Até então eu não tinha entendido ou relacionado obras como A megera domada de Shakespeare e Senhora de José Alencar, meu Deus eu nem mesmo tinha cogitado ler a Odisseia e a Ilíada.

Hoje, a similaridade entre aquelas e outras obras parecem óbvias pra mim, mas na época não, pois eu lia apenas o texto e não os autores e o período da escrita. Pois bem, anos após ter lido as Crônicas de Nárnia eu passei a ver certos paralelos entre a personagem criada pelos Irmãos Grimm (se é que posso dizer que eles criaram não é mesmo?) e pela antagonista criada por Lewis.


Jadis e Branca de Neve fazem parte da família real, uma de seu mundo, é uma princesa e outra, mais humilde, de apenas um reino. Ao contrário de Branca de Neve que tem seu reino usurpado, Jadis é a usurpadora do trono de Charn, que deveria dividir com a irmã. A situação para ela inaceitável, resulta em uma guerra, Branca de Neve, ao contrário de Jadis, não é uma mulher adulta, é apenas uma criança e quando tem sua vida ameaçada, foge.


A fuga também está presente na de Jadis. Ao perceber que não teria chances contra o exército da irmã, ela opta por matar todo o planeta a desistir do trono e, mais adiante, quando percebe que não tem poderes suficientes para derrotar Aslam, foge novamente. Branca de Neve foge para salvar sua vida, Jadis foge por covardia. 

A idéia do frio, do gelo na história de branca de neve serve para reforçar a pureza da criança tão desejada por sua mãe, nas Crônicas de Nárnia, o frio é visto como algo estéril, duro e cruel. Jadis trás o inverno à Nárnia e proíbe a celebração do Natal, tão importante neste período do ano. (Sim, temos Natal em Nárnia, inclusive o próprio Papai Noel em pessoa. Não podemos esquecer que trata-se uma obra infantil e que Lewis era muito cristão.

Os anões estão presentes nas duas obras e funcionam como apoio para ambas as personagens, embora isso aconteça de formas diferentes, é claro. Os personagens se repetem, temos os animais, a realeza, a briga pelo trono. Uma fruta afasta Jadis de Nárnia e uma fruta quase leve Branca de Neve à morte.

As semelhanças e paralelos entre as histórias das personagens são claras, e vez outra acabamos confundindo os arquétipos, mas é evidente que ambas as personagens são lados da mesma moeda, com historias que se encontram e se separam.

Jadis é uma mulher que quer poder, e Branca de Neve quer sobreviver. Branca de Neve seria sacrificada pelo caçador, Jadis exigiu que Aslam se sacrificasse por Edmundo. Os elementos são os mesmos, as histórias não. 

Branca de Neve casa-se com um príncipe, foi salva de sua miséria por outra pessoa, Jadis salva a si mesma. Enquanto Branca de Neve tem sua vingança pelas mãos do rei, pai do príncipe apaixonado, Jadis provoca o sentimento de vingança nos outros personagens.

A feiticeira branca luta por poder e se este não for seu, não será de ninguém, a personagem que preferiu ver o fim de seu mundo a se render, talvez veja o poder como uma forma de sobrevivência. Talvez ela acredite que quando não está no controle, ela não está sobrevivendo.


segunda-feira, 20 de maio de 2019

[Livro] A teoria do jardim - Dora Ribeiro



Difícil a vida não é mesmo?

Pois é querido leitor, faz um tempinho que estive por aqui para dividir algo. Hoje resolvi retornar pois finalmente consegui voltar a  ler. Como assinante desses clubes de assinatura de livros nem sempre tenho conseguido manter a leitura em dia e os livros tem se acumulado na minha grande muralha de livros daqui de casa.

Sinceramento não tenho encontrado nenhuma leitura que prendesse a minha atenção e que eu conseguisse terminar, fiquei bem chateada com isso e desde então tenho tentado algumas variações de leitura para tentar votar ao ritmo de leitura normal.

Durante esta pausa eu consegui ler  algumas HQ's e Graphic Novels, tentei ler um livro de contos que emprestei de uma biblioteca mas não deu muito certo, e a minha odisséia terminou quando comprei dois livros de poesia por impulso, tudo na tentativa de destravar. Durante este período eu também acabei consumindo uma série asiática (Dorama) chamada Romance is a bônus book e que você pode , disponivel na Netflix e bem, tudo isso nos trouxe até aqui.

Eu não sou uma pessoa de poesia. Não tenho nada pessoal contra este tipo de literatura inclusive acho-a uma forma de expressão bastante importante. Mas a verdade é que eu não entendo poesia. As quebras de linha em lugares gramaticalmente desnecessários, a desconexão entre a realidade e o texto, simplesmente não fazem sentido para mim.

Eu entendo as figuras de linguagem, as licenças poéticas e/ toda a parafernalha que acompanha a subjetividade, mas, caros amigos, tudo tem limite hahaha.

Sinopse: O titulo do livro já aponta para um programa de trabalho - trata de elaborar uma teoria da poesia vista como o jardim que se desdobra em paisagens do passado e do presente e nas quais está gravada a marca do corpo e das experiências amorosas.


Ao terminar de ler a obra pensei: Okay, peguei pouca coisa, vou começar novamente.
E foi o que aconteceu, apesar das poucas 92 páginas e 74 poemas, confesso que tive trabalho em avaliar esta obra. Resultado? Tive que relê-la várias vezes.

De fato, "a teoria do jardim" é um livro que convida à releitura imediata. Dificilmente eu perceberia, em apenas uma leitura, que a obra fala sobre sexualidade, à princípio esperei versos mais efêmeros, ligados à natureza, à vida ao ar livre. as logo percebi que os versos de Dora Ribeiro vão além da natureza comum, se é que posso assim dizer. A autora exalta os processos químicos e físicos que envolvem o ato sexual, a atração física. Evocando as ciências da natureza para desenhar e tentar desenvolver esta teoria da necessidade do corpo, corpo este, que é citado nos poemas das mais diversas formas. Dora cita também obras e autores consagrados da literatura brasileira e mundial, na clara intenção de ilustrar seus pensamentos e nos casua certa familiaridade e evoca nossa memória afetiva em relação à estas obras.

Por fim, este é um livro para poucos, é necessário análise, paciência, carga emocional e bagagem literária para absorver esta teoria em toda a sua essência. Acredito que farei uma releitura em breve da obra, pois sinceramente me senti despreparada para absorver o que Dora tinha para mim.

Abraços, espero que você leitor de poesia, ou aventureiro como eu adquira e se aprofunde nas ciências naturais evocadas por Dora e desvende a Teoria do Jardim.


segunda-feira, 13 de maio de 2019

[Netflix/ Dorama] Romace is a bonus book, 2019.


Romance is a Bonus Book é uma série sul-coreana original Netflix inspirado no romance Younger da autora americana Pamela Redmond Satran e é perfeita para os amantes de leitura e interessados pelo mundo editorial.

Esta é a segunda vez que a obra de Pamela se torna inspiração para um seriado de televisão, em 2015 a TV Land lançou  homônima ao livro e manteve a série no ar até a 5ª temporada e a 6ª temporada está prevista para Junho de 2019.

Antes de nos aprofundarmos entre as semelhanças e diferenças entre o dorama coreano e a série americana, é interessante conhecermos um pouco a obra que inspirou ambas as produções:

  • O livro Younger foi publicado no Brasil pela Editora Record em 2015 com 319 páginas e conta a história de Alice, uma mulher que aparenta ser bem mais jovem do que realmente é apesar de um ou outro fio branco e o jeito desleixado de dona de casa. Tudo começa a mudar quando o marido abandona Alice e a filha e a agora ex dona de casa é obrigada a retornar ao mercado de trabalho.
  • Tudo se complica quando Alice permite que Maggie, sua amiga, modernize seu visual. Graças à aparencia mais jovem e modernizada, à meia noite da véspera de ano novo Alice beija um rapaz anos mais jovem que ela e que descobre, logo será seu colega de trabalho.
  •  A história de Alice baseia-se na luta da personagem para voltar ao mercado de trabalho, ao tempo que tenta viver um romance e esconder sua verdadeira idade dos colegas de trabalho e de seu amado.

A série americana Younger de 2015 criada por Darren Star e estrelada por Sutton Foster ainda está em exibição e conta com 5 temporadas atualmente.


  • A protagonista Liza Miller é uma mãe divorciada de 40 anos. Com sua filha adolescente estudando na India, Liza tem que descobrir uma forma de sustentar a si e a filha, já que o vicio em jogo do ex marido as deixou em apuros financeiros, perdendo todas as suas economias e até mesmo sua casa.
  • Liza tenta retornar ao mercado de trabalho candidatando-se à vagas no mercado editorial, entretanto a missão torna-se dificil e a mesma percebe que tem que começar de baixo.
  • Liza conhece Josh, um tatuador de 26 anos que pensa que eles tem a mesma idade.
  • Maggie, amiga de Liza, ajuda a ex dona de casa a mudar seu visual para que a mesma consiga emprego se passando por uma mulher mais jovem.

Pamela Redmond criou uma história simples mas atrativa, com desdobramentos e aprofundamentos relacionados à família, à dificuldade em ser mulher no mundo capitalista, em ser uma mulher divorciada, mais velha sem experiência profissional, a luta por retornar a se relacionar amorosamente depois dos 40 e tantos outros temas dos quais não imaginamos que um chick lit poderia evocar.

A adaptação sul-coreana the Younger "Romance is a bônus book" estreou em Março de 2019 e nos conta a história do escritor e editor de sucesso Eun Ho que, quando criança salvou a adolescente Dan-i de um acidente.  A dupla desenvolve uma amizade para a vida e Dan-i apresenta o mundo da Literatura para seu jovem amigo. Já adultos, a vida dos dois os levam à caminhos separados e enquanto Eun Ho segue a vida como um solteiro cobiçado e com sucesso profissional, Dan-I se casa, tem uma filha e desiste da carreira na área de marketing para dedicar-se à família.
O que Dan-I não sabe é que Eun Ho nutre desde muito jovem um amor implacável por ela, por isso decide se afastar e deixar com que ela viva a vida que desejou. Diante deste afastamento Eun Ho não fica sabendo quando Dan-I é abandonada pelo marido perde sua casa e toda fonte de renda, sendo obrigada a retornar ao mercado de trabalho. O casal se reencontra quando Dan-i, mentindo sobre sua idade e formação consegue um emprego na editora de Eun Ho. Desta vez Eun Ho não está disposto a perder o amor de sua vida, mas será que Dan-I que até agora o via como seu irmão caçula o verá como homem? Só assistindo caro leitor.
Minha opiniao pessoal é de que a obra coreana é mais delicada. Podemos perceber isso ao acompanhar o sofrimento de Dan-I ao receber tantas recusas de emprego, também podemos perceber que a repaginada que Dan-I recebe não muda sua totalmente individualidade, ao contrário de Liza que se "fantasia" de jovem pós adolescente para o novo emprego. A obra sul coreana não obriga Dan-I a mudar de personalidade, fingir conhecer assuntos ligados à modernidade. Achei que, sinceramente, a obra oriental respeitou bem mais a personagem que a americana.

A série "Romance is a bonus book" está disponível na plataforma de streaming Netflix, a série americana Younger é exibida  originalmente pela TV Land, e não consegui encontrá-la em nenhum streaming disponível, mas existe o google pra isso não é mesmo? Você pode encontrar as 5 temporadas em vários sites e até mesmo no Youtube. Quanto ao livro, você pode encontrá-lo em várias livrarias on-line, na Amazon o mesmo está disponivel em estoque a partir de 15 de Maio deste ano, daqui a pouco.


Então é isso caro leitor, esta bela história está disponível em três ótimos formatos para todos os tipos de gosto, quem gosta do formato corrido, engraçado, as vezes exagerado, temos a série americana (Hillary Duff está nela, inclusive), para aqueles que são das letras temos o livro que inspirou as séries e para aqueles que gostam de historias mais delicadas, contadas em um ritmo diferente, temos Romance is a bonus book. Escolha seu formato e enjoy :3


sábado, 11 de maio de 2019

[Livro] O dia da morte de Denton Little - Lance Rubin



É eu sei, esse livro é de 2016 e tem por ai trocentos vídeos e blogs com resenhas sobre ele  mas vejam bem caros amigos: Eu não leio livros da moda quando estão na moda. Eu leio livros quando eles ganham meu interesse.

Pareci meio (ou totalmente) passivo-agressiva? Se sim, por favor me perdoem.

Acontece que ano passado lá estava eu garimpando em uma feira de livros (eu faço muito isso,  quando eu vi esse livro filho único meio que abandonado em uma pilha de livros de auto ajuda e meio que gostei da capa, sim, o carro fúnebre me atraiu haha, e  quando vi era uma publicação da Intrínseca, fiquei ainda mais interessada.

Confesso que a sinopse deixou um pouco a desejar e não empolga de jeito nenhum por isso a compra foi meio que um tiro no escuro, mas felizmente, acertei na mira. Vamos à sinopse:

"Amanhã é o dia de minha morte. Não é tão dramático quanto parece. Desde que nasci as pessoas sabem que amanhã é o dia em que vou morrer. aí você pergunta: é estranho e angustiante saber que vou morrer amanhã? Pra caramba. Mas preciso usar aquele tom de narrador de trailer de filme por causa disso? Provavelmente não."
Se Denton Little tivesse a minima ideia do que seu último dia de vida lhe reservava - ressacas, triângulos amorosos, crises de ciúmes, armas de fogo e manchas misteriosas pelo corpo -, certamente não estaria tão calmo...


É isso, a sinopse nos leva a crer que o livro se trata de um besteirol adolescente qualquer, mas gente;é uma distopia futuristica onde os humanos descobriram através da ciência como prever o dia da morte das pessoas e criou-se toda uma cultura em torno do dia de morte.

Assim como qualquer distopia, existe uma problemática que gira em torno do protagonista e do sistema vigente; apesar de parecer tranquilo com o fato de que sua morte está próxima, Denton não quer morrer. Uma das coisas mais interessantes desta história que é narrada em primeira pessoa, e que a difere de outras distopias é que o protagonista/narrador é muito divertido e está sempre nos levando a questionar os fatos e informações da história, atiçando nossa curiosidade, mas também nos faz refletir sobre a nossa própria vida, de uma forma positiva, leve e até divertida.

Quem diria que um YA iria me ensinar sobre como os pequenos drama da nossa vida não são nada diante da imensidão do mundo, das possibilidades que nossa vida nos dá? Pois é caro leitor.

Esta é uma história gostosíssima de ler, com um protagonista boa praça, como ele mesmo se descreve, que tenta encarar o fim de sua vida sendo o mais normal possível e que me lembrou a mim mesma em vários momentos (sabe quando tá tudo indo mal, mas a gente finge que tá tudo bem pra não incomodar os outros?). Eu fiquei muito feliz por ter dado uma chance para esse livro e fiquei muito triste ao descobrir, no final que existe uma continuação que não foi publicada no Brasil.

Maaaaaaas não se preocupe, a falta da sequência não influencia em nada a leitura deste livro, pois, pelo que pude perceber, a sequência é uma espécie de volta às origens, ou seja, um livro que antecede a história de Denton e que traz fatos que resultaram na história de Denton.

Então é isso leitores, recomendo essa leitura rápida, e você pode adquiri-lo pela Amazon por um preço bem camarada. Ou fazer como eu, e topar com ele por aí, se acontecer, compre, você não vai se arrepender.

Ah! Você sabia que temos um podcast agora? Acompanhe nossas resenhas com spoilers "de leve" no Spotify e Spreaker

domingo, 24 de fevereiro de 2019

[Livro/ Tag Inéditos] Todas as cores do céu - Amita Trasi


Sobre a obra, Autora e Edição

Todas as cores do céu (2018), do inglês The color of our sky,  é um relato emocionante em duas vozes que retrata a Índia contemporânea, “mostrando como o sistema de castas explora os mais fracos e como o amor nos faz buscar a reparação para nossos atos mais horríveis, vencendo barreiras impenetráveis” (TAG - Experiências Literárias, 2018).
Em parceria com a Harper Collins Brasil, o clube de assinatura de livros TAG - Experiências Literárias presenteou seus associados na modalidade inéditos o best seller da estreante Amita Trasi traduzida por Caroline Chang no último mês de 2018. A obra foi sucesso entre os associados e chega à disposição do público brasileiro a partir de 1 de junho de 2019, também pela Harper Collins, mas desta vez com a tradução de Fátima Thomas da Silva.
Como é o costume, a arte da capa da publicação brasileira vem totalmente diferente da criada pela TAG, embora esta tenha mais semelhança com a capa da edição original em Língua Inglesa. Notei também que a sinopse da TAG entrega menos detalhes que a da edição de Junho, mas não deixa a desejar, outra coisa interessante que gostaria de acrescentar é que, aparentemente o título também tenha sofrido alteração para As cores do céu, segundo site da Amazon Brasil.
Independente das pequenas alterações, é uma obra incrível que considero o segundo melhor enviado da TAG - Inéditos de 2018 ficando atrás apenas de Fique Comigo da Nigeriana Ayòbámi Adébáyò. Apesar da diferença entre os temas, a ambientação e a trama, a TAG acertou duas vezes ao trazer obras que retratam culturas diferentes do que estamos acostumados a ler, que abordam temas sociais e que nos tocam das mais diversas formas.
Durante a leitura senti aquele gostinho familiar, a sensação de que eu já tinha lido algo no mesmo estilo e sim, a própria TAG recomendou a leitura de O caçador de Pipas (2005, Nova Fronteira), sucesso de Khaled Hosseini para quem gostou do livro e eu assino embaixo na recomendação, ambas as obras deixam a mesma sensação de tristeza, frustração e impotência em grande parte da narrativa, principalmente durante os capítulos narrados por Mukta, uma das protagonistas.

Sinopse

Aos 10 anos, Mukta é forçada a seguir um ritual de sua casta que, essencialmente, torna-a uma prostituta. Para salvá-la deste horrível destino, um homem a resgata e lhe dá um lar. Tara, filha  dele, cria um laço especial com a criança recém-chegada - um vínculo digno de irmãs. A amizade sofre um baque definitivo, entretanto, quando Mukta é sequestrada. Anos depois, vivendo nos Estados Unidos, Tara retorna à Índia para encontrar a amiga que, ao que tudo indica, foi submetida novamente à prostituição. Mas a extrema pobreza em Bombaim  se mostra uma realidade mais difícil do que Tara consegue suportar.


Ambientação e Background


Mais do que nos contar ou dar explicações acerca do conflito entre Índia e Paquistão, a obra de Amita Trasi nos mostra como o resultado deste conflito afetou a vida das pessoas comuns. Ela não perde tempo explicando teoricamente como o sistema de castas era injusto ou afetava a vida das pessoas, aprendemos isso acompanhado a infância de Mukta e a luta de sua mãe para poupá-la do destino de se tornar uma Devadasi.
As descrições da vila onde Mukta nasceu chegam a ser poéticas enquanto que a autora caprichou em transmitir o clima urbano de Mumbai, desde as moradias, o centro urbano e o estilo de vida indiano. Gostei particularmente da forma como o relacionamento entre as personagens é mostrado.
A história gira a partir do sistema Devadasi, muitas vezes definida como casta, era composta por  mulheres jovens que eram dedicadas à adoração e ao serviço de um deus ou um templo para o resto de sua vida, essas jovens participavam de uma cerimônia semelhante à do casamento indiano onde se comprometem com o deus e o templo, pelo que pude entender, esta tradição tornavam colocavam estas mulheres em uma posição semelhante às gueixas japonesas (obviamente com as diferenças e especificidades culturais) mas que, assim como elas, com o passar do tempo e a presença dos britânicos acabaram por tornarem-se prostitutas vivendo à margem da sociedade.

A busca de Tara por Mukta nos leva à parte feia da Índia, à pobreza, prostituição, tráfico de mulheres e crianças mas também nos deixa com uma lição de esperança e amizade.


domingo, 3 de fevereiro de 2019

[Netflix/Filme] A vingança perfeita, 2018.





Sinopse: Vince e Alf, dois gângsteres de rua e assassinos implacáveis, estão trancados em um apartamento, esperando para atacar. Sujos, desgrenhados e entediados, estão presos há semanas e a espera os enlouquece. Enquanto isso, um professor moribundo desabafa seus arrependimentos com Annie, uma garçonete cética que é mais do que aparenta.

A Vingança Perfeita (2018), do original em Inglês "Terminal", tem um clima noir que nos remete a obras como Sin City (2005) e Suncker Punch (2011), não sei se essas são as obras apropriadas para fazer esta comparação, mas foram os filmes que vieram à minha mente a princípio. A paleta de cores adotada também me fez lembrar um pouco a cenas noturnas da Série Riverdale (2017), o vermelho, preto e cores fluorescentes são predominantes.

Classificado como suspense,  passamos 90 minutos acompanhando a garçonete Annie (Margot Robbie) em situações totalmente descontextualizadas do conhecimento prévio, a principio apresentada como uma coadjuvante, a personagem é a engrenagem que dá movimento à obra. Misteriosa, irreverente e arrogante, Annie é uma garçonete que faz companhia aos seus clientes tarde da noite, uma stripper que também é intermediária para negociações da máfia e uma figura misteriosa que pede perdão no confessionário.

As aparições de Annie levantam dúvidas sobre suas intenções e identidade criando uma teia de acontecimentos mostrados de fora para dentro os quais interligam os demais personagens até o final da trama, quando finalmente podemos compreender o papel de cada personagem e sua função nos planos de Annie.

O caminho é mais interessante que o destino. De fato, o desenrolar da trama instiga a nossa curiosidade em relação a conclusão, mas quando esta chega, surpreende e não surpreende ao mesmo tempo.

Como assim? O filme nos entrega uma narrativa que nos induz a certas conclusões, nos últimos minutos estamos até conformados em não ter resposta para tudo, só para sermos contrariados em seguida quando nos deparamos com um final que, apesar de clichê, é meio que desvinculado com o que estávamos esperando.

É um filme interessante de acompanhar, bonito de ver. Apesar de ter passado 70% do tempo confusa e tentando adivinhar o que realmente estava acontecendo, foi uma experiência boa voltar a ver uma narrativa não linear, e com uma ambientação relativamente familiar que me fez recordar obras como"Onde está Segunda?" (2017). 

O filme pode ser encontrado atualmente na NETFLIX.

Sinopse: Vince e Alf, dois gângsteres de rua e assassinos implacáveis, estão trancados em um apartamento, esperando para atacar. Sujos, desgrenhados e entediados, estão presos há semanas e a espera os enlouquece. Enquanto isso, um professor moribundo desabafa seus arrependimentos com Annie, uma garçonete cética que é mais do que aparenta.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

[Netflix / Dorama] "Meteor garden" é o novo "Boys over flowers"


Jardim de meteoros é uma série de televisão chinesa exibida pela Hunan TV entre 9 de julho e 29 de Agosto de 2018, estrelada por Shen Yue, Dylan Wang, Darren Chen, Connor Leong e Caesar Wu. É baseado no drama taiwanês homônimo e a série japonesa de mangá Hana Yori Dango escrito por Yoko Kamio. O drama tem 49 episódios e está classificado como comédia romântica.

Sinopse: O drama gira em torno de uma garota pobre totalmente comum chamada Dong Shancai, a qual é aceita de na universidade mais prestigiada do país. Ela encontra e entra e mconflito com um grupo de garotos chamado F4 , um grupo de garotos ricos e populares composta por Daoming Si, Hua Zelei, Yan Ximei e Feng Meizuo. Seu principal inimigo é Daoming Si, o lider do F4, que é mimado e arrogante, mesmo depois de se tornar o alvo favorito de Daoming Si, Chancai não se acovarda, tendo Hua Zelei como seu defensor. Eventualmente, o grupo reconhece a tenacidade de Chancai e passam a ser bons amigos, o que, posteriormente, faz surgir um romance.

Antes de falar sobre o dorama em si, é importante lembra que o mangá Hana Yori Dango já havia tido duas versões anteriores: Boys Over Flowers ( K-Drama) e Hana Yori Dango (J-Drama), ou seja,não é uma história nova, por isso, difícil de recontar. Jardim de Meteoros chegou à Netflix em 2018 e arrebatou os corações das dorameiras (os) mais jovens, em parte, acredito pela modernização da história feita na versão chinesa e do elenco lindíssimo. Uma das grandes diferenças que tenho notado nesta versão é que finalmente, Shancai, a protagonista conseguiu entrar na Universidade por meios próprios, sem depender de caridade ou recompensa por algo, além da protagonista desta vez ser um pouco mais participativa na trama, fato que me incomodava muito na protagonista de Boys over flowers, as coisas simplesmente aconteciam ao redor dela sem sua participação direta.

É uma série delicada, muito bem ambientada, é perceptível que desta vez deram uma atenção especial aos demais personagens, dando aos mesmos mais humanidade, as famílias são ricas, mas a trama não gira em torno das posses de cada membro do F4. Obviamente não consegue fugir do clichê Cinderela que os asiáticos tanto amam e muito menos daquele toque de Bela e Fera que o relacionamento do casal protagonista sempre tem, mas é um bom entretenimento, com uma trilha sonora original maravilhosa.
Boys over flowers está disponível no VIKI, Meteor Garden está disponível na Netflix e Hana Yori Dango não foi disponibilizado no Brasil de forma legal, mas você pode encontrá-lo no youtube e em sites de cultura asiática, assim como o anime homônimo.
É isto! Até a próxima, e vê se não maratona tudo de uma vez ;)



domingo, 13 de janeiro de 2019

[Perfil] Nerd do mês - Maura Isles


Olá, seja bem vindo querido leitor, a partir deste ano, todos os meses publicaremos o perfil de alguma diva nerd esquecida pelos leitores/fãs de séries e filmes. É tão difícil vermos na tela personagens femininas que não são apenas bonitas, mas inteligentes, perspicazes, mas não de forma estereotipada.
Escolhi a Dra. Isles para estrear esta série pois, desde aquela madrugada de plantão, anos atrás, onde só sintonizava a Globo na televisão do trabalho, eu me deparei com uma personagem tão bem elaborada, cheia de camadas que me apaixonei pela série, sofri quando soube da morte de um dos  atores coadjuvantes (LeeThompson Young) e quando, mesmo depois de tantos anos, a série homenageou o personagem do colega falecido em seu ultimo episódio.

Então, vamos lá?

Maura Dorothea Isles é a super inteligente médica legista da série Rizzoli & Isles (2010 - 2016). Interpretada pela norte americana Sasha Alexander (Dawson's Creek, NCIS, Missão Impossível III), Maura é a melhor amiga da detetive durona Jane Rizzoli e é a principal legista do Departamento de Polícia de Boston.

Dona de uma inteligência superior, a Dra. Isles foi adotada ainda criança por uma família muito rica e passou a maior parte de sua infância em um internato. Metódica, extremamente elegante e tagarela, Maura descobre sua origem ao longo da série; ao autopsiar um homem vitima de homicídio, descobre que o mesmo é seu irmão biológico. Fato que, consequentemente, a leva até seu pai, um criminoso irlandês.


Maura é uma biblioteca sobre saltos altos, sendo capaz de emitir fatos aleatórios e desconhecidos sobre os mais diversos assuntos, ela gosta de divagar. Uma das coisas mais curiosas e divertidas a seu respeito é que ela se recusa totalmente a "adivinhar" as condições da causa da morte das vitimas e se irrita muito quando Jane o faz. Para Maura é preto no branco, tudo tem que ser comprovado cientificamente, ela é bastante cética.

Quando questionada sobre a morbidez de seu trabalho, Isles sempre diz que prefere os mortos aos vivos, pois os vivos julgam, zombam e provocam, os mortos não. Maura escolheu a profissão também pelo minimo contato com pessoas vivas. Socialmente desajeitada, em certos momentos ela até mesmo admitiu ter medo do convívio social, mas a exposição frequente, devido sua amizade com Jane, ela acaba superando este medo.

Jane é uma influencia constante na personalidade de Maura durante toda a série, de modo que Maura, a qual antes não conseguia mentir, chegando até mesmo a hiperventilar quando o fazia, acaba por aprender a fazer isso com o incentivo de Jane. Chegando até mesmo a mentir frenquentemente para a amiga como forma de piada.

Nota: A série Rizzoli & Isles é baseada na série de livros da escritora sino americana Tess Gerritsen, na qual a Dra. Maura é descrita como alguém que leva seu trabalho muito a sério e não gosta muito de roupas de grife, ao contrario do personagem da série televisiva. Se você curte um romace policial, aproveita que a Amazon está com vários titulos desta série em promoção :3


Curiosidades: 

O toque do telefone de Maura é a Marcha Fúnebre de Chopin;
A personagem fala Sérvio fluentemente;
A médica é alérgica a ibuprofeno e morre de medo de uma bactéria carnívora;
Maura é esgrimista e coleciona selos.



sábado, 12 de janeiro de 2019

[Livro] Minha cozinha em Berlim - Luisa Weiss




No melhor estilo Julie & Júlia ( filme que inclusive é citado no livro), esta obra narra em primeira pessoa a história da jovem Luisa e seu relacionamento com a vida e a comida a partir de pequenas crônicas.

Minha cozinha em Berlim é uma obra deliciosa de fato, entretanto, não é um livro sobre culinária. Aos 36 anos, Luisa resolveu escrever sobre sua trajetória desde a infância até o momento no qual se tornou uma mulher adulta realizada. A obra se inicia ao relatar acontecimentos de quando a autora tinha apenas três anos de idade e já relaciona sua vida afetiva com a presença dos prazeres da comida. 

Desde jovem Luisa tem uma relação íntima com a comida e todo o ambiente afetivo em volta da cozinha, e é a partir de sua narrativa da sensação de estar na cozinha de Joanie, praticamente sua segunda mãe, que a autora revive sua vida com uma escrita leve e cheia de detalhes. Acabamos por nos envolver com seus conflitos e alegrias familiares, acompanhamos momentos de descobertas, como o prazer da leitura e da solidão vivida em Paris quando se é uma garota introspectiva, a descoberta pelo prazer da leitura, os amores e mudanças.

Quero destacar o fato de a autora descrever maravilhosamente os países pelos quais passou, sua escrita não só possibilita termos uma imagem visual torna possível sentirmos o clima de cada lugar pelo qual a protagonista passou ( Berlim, Paris, Itália, EUA). As receitas presentes no final de cada capítulo nos deixam com água na boca e torna a experiencia desta leitura ainda mais prazerosa.

O fato de a autora, assim como a Julie de Julie & Julia ter criado um blog para compartilhar suas receitas nos aproxima ainda mais desta, desenvolvemos uma empatia pela jovem que ainda não sabe bem o que fazer com a própria vida.

Este é um livro leve, para se ler com carinho e devagar. Voltarei a consultá-lo sem dúvida, não só para relar alguma crônica, mas para tentar recriar alguma receita. Recomendo.  

O ensopadinho da depressão é aquela comidinha confortável, as vezes uma receita básica da nossa mãe ou avó, que você prepara para si mesmo quando está sozinho e triste, é um alimento que te conforta e te lembra de casa. Em tempos de MasterChef, comprei esse livro por impulso em mais uma feira de livros aqui na minha cidade, um impulso do qual não me arrependo de forma alguma, um livro maravilhoso por um preço ínfimo.

Sinopse: É preciso coragem para virar a própria vida de cabeça para baixo, principalmente quando todo mundo acha você uma garota de sorte. Mas, às vezes, o que parece certo não poderia estar mais errado. Minha cozinha em Berlim é a deliciosa narrativa de Luisa Weiss, uma jovem romântica e confusa, viajante apaixonada, cidadã itinerante e cozinheira perfeccionista que decide jogar tudo para o alto – sua vida certinha em Nova York, o emprego dos sonhos e o namorado – para ir em busca de uma vida nova (e de um novo amor?) que traga de volta o gostinho de sua infância em Berlim. Uma bela e inspiradora história sobre como é preciso se entregar para seguir a paixão. Entre uma receita e outra, será impossível não se encantar com a honestidade, as vulnerabilidades e a belíssima escrita de Luisa Weiss – e ainda ficar morrendo de vontade de provar a torta de maçã com a massa mais leve de todos os tempos, a melhor salada niçoise do mundo, ou mesmo as surpreendentes endívias refogadas!


terça-feira, 18 de dezembro de 2018

[Filme/ Opinião] Turma da Mônica Laços, precisava pintar o Floquinho?


Antes de começar esse post gostaria de deixar claro o seguinte:

Os animais não são objetos decorativos.
Os animais não são para o nosso entretenimento.

Deixando isso bem claro, você já viu o trailer do Live Action da Turma da Mônica? Sim, o quadrinho brasileiro que esteve presente durante toda nossa infância agora virou filme! Maravilhoso não é?
O trailer é lindo, fofo e tudo que o nosso coração saudosista poderia esperar, entretanto, um fato chamou atenção de alguns protetores no twitter na manhã de hoje: o floquinho, cachorro de estimação do cebolinha realmente estava verde durante as cenas no qual aparece no trailer. Opa peraí!

Verdade gente, essa fato gerou algumas discussões interessantes não apenas relacionado à este filme em particular, mas ao uso de animais no entretenimento. Não importa se o animal foi pintado com corante alimentício que não faz mal para a pele ou pelo do animal, se foi colorido digitalmente. O problema é a "moda" e a procura que surgirá após o lançamento do filme. Lembrando que já tivemos essa febre de animais coloridos no passado e sabemos que as pessoas em geral não colocam a saúde de seus bichinhos em primeiro lugar, os utilizam apenas como adereço ou tratam como se fossem brinquedos.

A discussão levantada sobre isso é: vocês já imaginaram o tanto de criança esperneando e chorando pra pintar o cachorro de verde? ou para adotarem um cachorro que seus pais não querem nem podem manter apenas porque é o cachorro do Cebolinha? Não pensou?

Sim, eu li uma pessoa dizendo que óbvio que a criança não vai querer um cachorro colorido só porque viu no cinema, claramente essa pessoa não convive com crianças. Eu sim, posso afirmar que não só as crianças como os pais, irão catar tutorial de como pintar seu cachorro na internet com papel crepom sem dar um minuto de atenção aos avisos de que isso faz muito mal para a pele do animal.

Caso você ache que esse pessoal todo da internet e eu estamos fazendo tempestade em copo d'água, recomendo este artigo de 2017 aqui "Game of thrones fans urged to stop buying huskies as number of abandoned dogs soars" 

"Os fãs de Game of Thrones foram advertidos a deixar de comprar huskies depois que o número de animais abandonados aumentou oito vezes desde o início do show. Os cães, que têm uma forte semelhança com os "lobos" que aparecem no épico de fantasia, são cada vez mais populares entre os devotos da série, mas caridade animal diz que os huskies são frequentemente descartados quando a novidade se esvai. Antes do programa ir ao ar em 2011, o número de huskies abandonados era de cerca de 10 por ano, de acordo com dados da Blue Cross, mas no ano passado o número atingiu 81."

Ah! Mas isso aconteceu devido ao grande sucesso da série, isso não ocorre frequentemente, mas em 1997 tivemos o seguinte "After movies, unwanted dalmatians".

Abrigos de animais em todo o país relataram aumentos acentuados no número de cães dálmatas indesejados neste ano, muitos deles dados a crianças como presentes no último Natal, após o lançamento do remake do filme "101 Dálmatas", da Disney. Alguns abrigos dizem que viram o número de cães abandonados mais do que o dobro e que temem que o problema só piore com o novo programa de televisão "101 Dálmatas", da ABC.

Ah! mas as pessoas não eram esclarecidas na época: The eco impact of Finding Nemo and Finding Dory

"A National Geographic estima que a demanda por peixes-palhaço como animais de estimação de aquário mais do que triplicou como resultado direto do filme. Um fundo de conservação criado para proteger o peixe-palhaço, SavingNemo.org, afirma que mais de um milhão de peixes-palhaço são colhidos anualmente de sistemas de recifes de coral para ir a aquários, com 400.000 desses peixes sendo enviados para os Estados Unidos. A extinção localizada está ocorrendo em algumas áreas; os recifes de corais freqüentemente capturados têm visto populações de peixe-palhaço diminuírem em grande quantidade."

Vivemos em um mundo capitalista onde as pessoas querem consumir, ostentar. Isso pode até não ser um problema para você, mas quando envolve uma vida que conta com você para tudo, não, não estou falando das crianças (haha);  como público consumidor temos que ter um olhar diferenciado para o produto que estamos prestes a consumir, será que você teria ido ao cinema ver Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra se soubesse que foram feitas tantas explosões em Petit Tabac, São Vicente e Granadinas que muitas espécies marinhas morreram? Ou que no primeiro filme do Hobbit 27 animais entre eles: cavalos, cabras, ovelhas e galinhas morreram por falta de cuidados e alimentação?

Pois é, cometi mais uma vez o crime de textão, mas era necessário. Ninguém tem prazer em apontar esse tipo de coisa, mas é necessário tocar na ferida. 

Mas Jesca não é pra ver o filme da Turma da Mônica? Eu quero! Poder você pode, mas você também poderia cobrar uma campanha da produção do filme para conscientizar a galera, coibir a adoção irresponsável, promover o bem estar animal, promover a adoção de vira-latinhas, ajudar ONGs de proteção animal. 

E faça sua parte também. Doe, ajude, adote.

Se você é da minha cidade, fica umas dicas de grupos que cuidam e protegem animais que eu ajudo sempre,  faça sua parte e tente ajudar também!



Leia mais em:

Por que você não deve tingir o pelo do seu bichinho? 
O perigo de pintar os animais
Animais no entretenimento
Qual é o preço que os animais pagam pela sua diversão?
Maus tratos a animais em filmes
Cineasta brasileiro escreve extenso artigo sobre os problemas do uso de animais no cinema

[Netflix/ Anime] Backstreet Girls: Gokudolls, 2018




Back Street Girls: Gokudolls é uma comédia bizarra baseada em um mangá seinen*, escrito por Jasmine Gyuh e publicado pela Young Magazine, revista responsável por mangás como GTO e Prison School, nomes já consagrados pelo público.  Apesar do nome, que nos faz imediatamente pensar na famosa boyband dos anos 90, os Backstreet Boys, podemos perceber já no primeiro episódio que o anime e a banda não são em nada relacionados. 

É legal dar uma quebrada em séries, animes, dramas mais densos com uma comédia e para isso recomendo muito esse anime no sense e divertidíssimo. Desde que vi Golden Boy, não tinha dado tantas risadas com situações hilárias e tristes pelas quais os personagens passam.

Sinopse: Três homens da Yakuza fracassam em uma importante missão, designada pelo seu chefe, e recebem propostas de punição. Entre elas estão: 1. Cometer um honroso suicídio, 2. Vender todos os seus órgãos, um por um, para benefício de seu chefe ou 3. Viajar para a Tailândia e realizar uma cirurgia de redesignação sexual, com o objetivo de se tornarem idols. Após um ano de treinamento e preparo psicológico, eles (elas) conseguem debutar e ganhar popularidade, criando inimigos e rivais ao longo do caminho enquanto se descobrem enquanto "cantoras".

Apesar de um tanto radical, a proposta do anime é bem diferente ao tratar temas sérios com comédia e apesar da falta de sentido no todo, acaba por explorar um pouco dos valores da máfia e das dificuldades enfrentadas pelos idols no mundo asiático.

Antes de finalizar gostaria de chamar atenção para a dublagem que é excelente e o trabalho de tradução que introduziu piadas nacionais o que faz com que o público desenvolva uma relação mais intima com a obra.

Gokudolls está disponível no catálogo da Netflix desde o dia 19 de Dezembro deste ano esperando pra te fazer rir.

Veja o trailer:


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

[Lista] Para ter um 2019 melhor e mais bonito

Eu odeio listas, elas me irritam e me dão a sensação de responsabilidade. Entretanto, elas sempre me tornaram mais eficiente, adquiri a capacidade de me preocupar com cada item e realizá-los na ordem e dentro do prazo que estipulei.

Com a esperança de que essa lista faça o mesmo por você, resolvi listar pequenas atitudes que mudaram a minha percepção de vida, a quais separadamente podem parecer pequenas mudanças de comportamento, mas que juntas podem fazer a diferença no seu jeito de perceber a vida.



1. ESQUEÇA. Não tenha medo de deixar algumas pessoas no passado, assim como a mágoa causada por estas. Carregar com você a mágoa e a tristeza causada por pessoas que não fazem questão em participar de forma positiva na sua vida não te trará nada de bom. Deixe-as para trás, esqueça.

2. DOE. Eu sei que o conceito de faxina de Ano Novo pode ser um clichêzão do qual todo mundo começa a falar no mês de Dezembro e, de fato, é um costume antigo até demais. Esta tradição milenar japonesa pode fazer milagres no seu espaço, e na sua vida. Então, que tal praticar os conceitos do ritual do O-osouji / Osōji (おおそうじ / 掃除) ao menos duas vezes por ano e além de limpar seu espaço, doar tudo que você não usou durante esse período (roupas, calçados, utensílios, e até mesmo móveis). Os objetos que você não utiliza pode fazer outra pessoa feliz.



3. SE DESCULPE. Perdoe a si mesmo. pelos erros cometidos, os equívocos, as falsidades, os preconceitos. Faça uma pequena autoavaliação, identifique quais sentimentos o levaram a tomar certas atitudes, assuma a responsabilidade pela pessoa que você foi, questione se você é o tipo de pessoa que planejou, desculpe-se e trabalhe para se tornar seu próprio ídolo.


4. NÃO COMPRE. Quando compramos objetos dos quais não precisamos pode parecer que estamos preenchendo um vazio de algo. Temos naturalmente essa necessidade de preencher espaços. Mas porque ter espaço é ruim? Deixe espaços abertos na sua casa, na sua vida para as coisas especiais que virão, consuma consciente e apenas efetue uma compra quanto possuir a convicção de que o objeto a ser adquirido é necessário e será utilizado.


5. SE APAIXONE. Tempo é algo sagrado, tempo é o que temos de mais precioso para presentear. Descubra uma causa para se apaixonar, dedique um pouco do seu tempo para ajudar um movimento do qual você tem alguma identificação. Seja presencial, online, ou por meio de doações, dedique-se a uma atividade altruísta.



É isto, pratique o minimalismo, o consumo consciente, se cerque de pessoas e objetos que te façam feliz e faça uma limpeza na sua casa e na sua vida.
Um ano novinho, cheio de possibilidades está batendo na nossa porta.
Você não vai querer começar o ano novo cheio de coisas velhas, ou vai?