terça-feira, 29 de maio de 2018

[ Filme/ Netflix] "Eu não sou um homem fácil" (2018) é o novo "Do que as mulheres gostam" (2000)?


Lançado em 13 de Abril deste ano, o longa metragem roterizado e dirigido pela atriz francesa (agora diretora e  roteirista) Éléonore Pourriat, "Eu não sou um homem fácil", do original em francês "Je ne suis pas un homme facile" chegou ao Brasil pelas mãos da nossa esposa Netflix e tem a pretensão de debater o machismo na sociedade contemporânea.

A roteiro gira em torno de Damien (Vincent Elbaz), um machista de carteirinha que, após sofrer uma batida na cabeça, acorda em um mundo onde as mulheres e os homens inverteram os seus papéis na sociedade. Nesta nova realidade, o ser humano mudou e agora são as mulheres que têm poder sobre os homens, seja físico, em relação à politica e aos papéis sociais. Uma situação "engraçada" de se ver, ao menos acredito que tenha sido esta a intenção.


Interessante ressaltar que, a princípio acreditei estar diante de uma comédia, mas se a situação de dominação masculina já é desconfortável de assistir, com os papéis invertidos, me senti da mesma forma. Realmente, quando Damien é assediado de forma agressiva em certa parte do filme por várias mulheres e se encontra de certa forma "impotente" com aquela situação, como espectador feminino, nos identificamos com o personagem imediatamente.

Sinceramente achei o filme um tanto quanto indeciso. Ele não sabe se quer ser uma comédia ou um drama, e confesso que o me prendeu até o final foi a busca pelos motivos da tal inversão ter ocorrido. Acredito que ele poderia ter discutido o papel dos gêneros na sociedade de forma mais sutil, entretanto a escolha foi mais para o lado do "Do que as mulheres gostam" (2000) Comédia romântica estrelada por Mel Gibson e Helen Hunt onde o personagem Nick Marshall ganha as habilidades de ouvir os pensamentos femininos e passa por uma experiência de imersão na mundo das mulheres, embora neste caso não tenha sido obrigado a abrir mão dos privilégios masculinos.

Tudo bem, em "Eu não sou um homem fácil", o protagonista era um nojento que merecia sofrer na pele pela forma como tratava as mulheres em sua vida, mas eu não me senti vingada com a inversão, o ator conseguiu me envolver de tal forma com seu personagem ao ponto de sentir pena, identificação em alguns momentos e até ansiedade pela resolução da trama.

Em relação ao final da obra, não tenho certeza se sei opinar. Sempre gostei de quando tudo termina amarradinho. Então fiquei com aquele gosto de quero mais, e agora? Como resolve certas coisas? E acredito que esta tenha sido a intenção.

Para concluir, "Eu não sou um homem fácil " não é um filme excepcional,  o roteiro tem alguns pontos que deixam a desejar, mas ele também traz coisas interessantes, situações que vale a pena refletir e debater.
É isso.
Um xero.




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