segunda-feira, 21 de maio de 2018

[Lista / Filme] O Complexo de Frankenstein e as leis da robótica no cinema e Televisão


Quando realizamos uma simples busca online nos canais de notícias com a simples palavra “Robots”, somos bombardeados com aproximadamente 1.680.000 resultados e dentre estes podemos encontrar reportagens acerca de robôs revolucionando a medicina através da detecção de células cancerígenas, sobre o crescente mercado de robôs domésticos, sobre o uso de robôs no mercado de trabalho, dentre muitas outros artigos enumerando as incríveis possibilidades da robótica e inteligência artificial.

Recentemente, a web praticamente enlouqueceu após a publicação de vídeos mostrando a capacidade de mobilidade dos robôs produzidos pela empresa de engenharia robótica Boston Dynamics, vídeos de robôs capazes de identificar e evitar obstáculos durante sua movimentação, que podem pular e praticamente correr surgiram na internet nas ultimas semanas. O futuro é agora e  os avanços na área da robótica e inteligência artificial fariam o bom e velho C-3PO queimar seus circuitos e nosso Marvin ficar ainda mais paranóide.

É verdade que estes avanços tecnológicos, seus perigos e possibilidades sempre estiveram presentes no imaginário do ser humano e isso resultou em uma enorme variedade de representações desses seres artificiais no cinema e na televisão como Exterminador do Futuro (1985), Robocop (1987)Matrix (1999) e os recentes Transformers (2007) e Westworld (2016).

Um dos primeiros seres artificiais criados para o cinema e um dos mais importantes para a história da sétima arte foi “Maschinenmensch”, a robô do filme Metrópoles (1927), de Fritz Lang. “Maschinenmensch” ou máquina-humana foi produzida à imagem de uma mulher e durante a trama ela acaba por realmente se transformar em uma mulher, ocupando lugar junto aos escravos que lutavam por seus direitos no submundo. A partir de então, a personagem criada para o filme Metrópoles tornou-se uma espécie de padrão no qual se basearam as criações seguintes para os filmes de ficção científica, nos quais as máquinas criadas para ajudar a humanidade, passam a se rebelar.


O autor Isaac Asimov chamou este modelo de ficção de “Complexo de Frankenstein” em referência ao romance Frankenstein de 1831 escrito pela autora britânica Mary Shelley (1797 - 1851). Na obra de Shelley, um monstro criado através de partes de outros seres humanos e algumas partes mecânicas se volta contra aquele que o criou, podemos perceber o "complexo" nas seguintes obras cinematográficas:
- Matrix (1999)
- Ex Machina (2015)
- Exterminador do Futuro / Terminator (1985)
- Westworld  (2016)
- Transcendence: A revolução (2014)

Nesta perspectiva, Asimov foi o primeiro autor que criou seres artificiais que não se voltaram contra seus criadores e/ou sociedade, sendo de sua autoria as 3 leis da robótica:

1-    Um robô não pode ferir uma pessoa, nem por omissão, permitir que ela sofra;
2-    Um robô deve obedecer aos humanos, exceto quando houver conflito com a primeira lei;
3-    Um robô deve proteger sua própria existência, ressalvadas as regras precedentes.

No cinema podemos citar várias obras influenciadas pelas três leis, dentre elas, “Star Wars” de George Lucas (1977 a 2005), onde os robôs, principalmente os famosos, R2-D2 e C-3PO, ambos com inteligência artificial seguem a risca as leis de Asimov e “Eu Robô”, filme baseado nas três leis. Durante muito tempo, as leis criadas por Asimov passaram a ser pivô de discussão tanto no cinema quanto no campo científico e transformou a maneira dos humanos de pensar nestas tecnologias.

De volta ao Complexo de Frankenstein, este estilo seve de base para boa parte dos filmes de ficção cientifica da segunda metade do século XX e início do século XXI. O próprio Frankenstein de Mary Shelley possui várias adaptações ao cinema, incluindo algumas onde o monstro é um ser hibrido de máquina e carne, a fusão entre orgânico e inorgânico ou molhado e seco.

Podemos afirmar que o complexo de Frankenstein o medo que o criador tem por sua criatura, ao darmos autonomia demais às máquinas, será que estamos criando monstros que em certo momento se rebelarão contra nós, tomarão conta do nosso planeta e se alimentarão pela energia elétrica gerado pelos nossos corpos até que o escolhido reapareça e venha nos libertar?

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