quarta-feira, 27 de junho de 2018

[Filme/ Netflix] - The Discovery ( 2017), De Onde Viemos, Para Onde Vamos?




A partir do momento que nos entendemos enquanto seres humanos desenvolvemos a capacidade de questionar. Questões existenciais circundam o ser humano desde sempre:
Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido da vida?

O segundo longa-metragem de Charlie McDowell, a obra original da Netflix “The Discovery” baseia-se principalmente sobre o questionamento acerca da vida após a morte e como a sociedade se comportaria se esta pergunta fosse respondida.

A premissa é interessantíssima e a possível resposta dada pelo filme também. Será que estamos fadados a viver em um mundo onde construímos conhecimentos, uma história própria de altos e baixos para no fim sermos enterrados, cremados e fim? Não tem mais nada? Qual o sentido de tanto esforço então?

A trama se passa em um futuro distante no qual a sociedade, em colapso, após a descoberta e comprovação de um novo plano de existência, enfrente um alto número de suicídios.

O cientista Thomas Harber provou que havia um outro plano de existência após a morte desencadeando o fenômeno de suicídios, pelos quais ele se não se sente responsável. Para o cientista, a disseminação de uma descoberta vital como essa não deve ser escondida do público, e se as pessoas decidiram não permanecer neste plano e partir para o próximo não é sua responsabilidade.

Apesar deste posicionamento, o cientista isolou-se na intenção de prosseguir com sua pesquisa, pois apesar de saber da existência deste segundo plano, ele ainda não descobriu o que há lá.

 Já no início da trama nos deparamos com o protagonista Will, o qual está indo visitar seu pai Thomas Harber e durante a viagem conhece Isla, uma mulher depressiva e que acaba criando uma espécie de ligação com Will, ele consegue enxergar a tristeza nela e tenta salva-la de si mesma. Devo admitir que não achei a química do casal muito boa e a personagem criada para provocar a empatia não consegue alcançar o objetivo, na verdade, ficamos meio que presos na indecisão dela.

A partir das primeiras informações, acompanhamos o casal durante sua busca pela descoberta deste outro plano, apesar do início parado, do meio confuso e clichê e do final “Black Mirror”, é interessante ver os personagens principais abandonarem suas convicções, a suicida (Isla), o cientista (Thomas) e o cético (Will) acabam por desestabilizar suas existências a partir das manipulações inseridas na trama.

A tristeza presente em TODOS os personagens influencia o ritmo da trama e o tal qual o livro da JoutJout “Todo mundo tá mal”, acaba deixando a obra cansativa de acompanhar, confesso que quis abandoná-la.

O argumento é realmente bom, mas infelizmente não garantiu a qualidade do filme, todos os personagens estão vivendo seus próprios dramas pessoas que não alcançam o telespectador.

São muitos os pontos negativos, mas em especial gostaria de destacar que a importância dada para personagem Isla no encerramento da obra não condiz com sua participação na trama, ela não parece tão importante durante o filme, mas no final ela é. Porque não tornaram a personagem importante durante a obra é a pergunta que fica.

Entre os pontos positivos estão o argumento, que eu achei incrível, mas não novo, a fotografia predominantemente azulada, que conversa diretamente com vários elementos presentes no enredo e mundo pós descoberta, este é um filme que faz a gente pensar, arranca reflexões do telespectador e o final fantasioso deixam a gente com a curiosidade aguçada, eu queria ter visto mais. A sensação é que eu vi um episódio de Black Mirror mal feito.





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