domingo, 24 de fevereiro de 2019

[Livro/ Tag Inéditos] Todas as cores do céu - Amita Trasi


Sobre a obra, Autora e Edição

Todas as cores do céu (2018), do inglês The color of our sky,  é um relato emocionante em duas vozes que retrata a Índia contemporânea, “mostrando como o sistema de castas explora os mais fracos e como o amor nos faz buscar a reparação para nossos atos mais horríveis, vencendo barreiras impenetráveis” (TAG - Experiências Literárias, 2018).
Em parceria com a Harper Collins Brasil, o clube de assinatura de livros TAG - Experiências Literárias presenteou seus associados na modalidade inéditos o best seller da estreante Amita Trasi traduzida por Caroline Chang no último mês de 2018. A obra foi sucesso entre os associados e chega à disposição do público brasileiro a partir de 1 de junho de 2019, também pela Harper Collins, mas desta vez com a tradução de Fátima Thomas da Silva.
Como é o costume, a arte da capa da publicação brasileira vem totalmente diferente da criada pela TAG, embora esta tenha mais semelhança com a capa da edição original em Língua Inglesa. Notei também que a sinopse da TAG entrega menos detalhes que a da edição de Junho, mas não deixa a desejar, outra coisa interessante que gostaria de acrescentar é que, aparentemente o título também tenha sofrido alteração para As cores do céu, segundo site da Amazon Brasil.
Independente das pequenas alterações, é uma obra incrível que considero o segundo melhor enviado da TAG - Inéditos de 2018 ficando atrás apenas de Fique Comigo da Nigeriana Ayòbámi Adébáyò. Apesar da diferença entre os temas, a ambientação e a trama, a TAG acertou duas vezes ao trazer obras que retratam culturas diferentes do que estamos acostumados a ler, que abordam temas sociais e que nos tocam das mais diversas formas.
Durante a leitura senti aquele gostinho familiar, a sensação de que eu já tinha lido algo no mesmo estilo e sim, a própria TAG recomendou a leitura de O caçador de Pipas (2005, Nova Fronteira), sucesso de Khaled Hosseini para quem gostou do livro e eu assino embaixo na recomendação, ambas as obras deixam a mesma sensação de tristeza, frustração e impotência em grande parte da narrativa, principalmente durante os capítulos narrados por Mukta, uma das protagonistas.

Sinopse

Aos 10 anos, Mukta é forçada a seguir um ritual de sua casta que, essencialmente, torna-a uma prostituta. Para salvá-la deste horrível destino, um homem a resgata e lhe dá um lar. Tara, filha  dele, cria um laço especial com a criança recém-chegada - um vínculo digno de irmãs. A amizade sofre um baque definitivo, entretanto, quando Mukta é sequestrada. Anos depois, vivendo nos Estados Unidos, Tara retorna à Índia para encontrar a amiga que, ao que tudo indica, foi submetida novamente à prostituição. Mas a extrema pobreza em Bombaim  se mostra uma realidade mais difícil do que Tara consegue suportar.


Ambientação e Background


Mais do que nos contar ou dar explicações acerca do conflito entre Índia e Paquistão, a obra de Amita Trasi nos mostra como o resultado deste conflito afetou a vida das pessoas comuns. Ela não perde tempo explicando teoricamente como o sistema de castas era injusto ou afetava a vida das pessoas, aprendemos isso acompanhado a infância de Mukta e a luta de sua mãe para poupá-la do destino de se tornar uma Devadasi.
As descrições da vila onde Mukta nasceu chegam a ser poéticas enquanto que a autora caprichou em transmitir o clima urbano de Mumbai, desde as moradias, o centro urbano e o estilo de vida indiano. Gostei particularmente da forma como o relacionamento entre as personagens é mostrado.
A história gira a partir do sistema Devadasi, muitas vezes definida como casta, era composta por  mulheres jovens que eram dedicadas à adoração e ao serviço de um deus ou um templo para o resto de sua vida, essas jovens participavam de uma cerimônia semelhante à do casamento indiano onde se comprometem com o deus e o templo, pelo que pude entender, esta tradição tornavam colocavam estas mulheres em uma posição semelhante às gueixas japonesas (obviamente com as diferenças e especificidades culturais) mas que, assim como elas, com o passar do tempo e a presença dos britânicos acabaram por tornarem-se prostitutas vivendo à margem da sociedade.

A busca de Tara por Mukta nos leva à parte feia da Índia, à pobreza, prostituição, tráfico de mulheres e crianças mas também nos deixa com uma lição de esperança e amizade.


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